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Deputados federais do Ceará se filiam ao PSB em mais uma etapa de debandada do PDT

Deputados federais do Ceará deixam PDT e se filiam ao PSB Reprodução Neste fim de semana, os deputados federais Idilvan Alencar e Robério Monteiro deixaram ...

Deputados federais do Ceará se filiam ao PSB em mais uma etapa de debandada do PDT
Deputados federais do Ceará se filiam ao PSB em mais uma etapa de debandada do PDT (Foto: Reprodução)

Deputados federais do Ceará deixam PDT e se filiam ao PSB Reprodução Neste fim de semana, os deputados federais Idilvan Alencar e Robério Monteiro deixaram o PDT e formalizaram sua filiação ao PSB, em dois eventos distintos, mas ambos celebrados pelo senador Cid Gomes (PSB). O movimento é mais uma etapa da debandada de políticos do PDT no Ceará, um dos últimos bastiões do partido no Brasil. Também deixou a legenda, nesta segunda-feira (30), o suplente de deputado federal Leônidas Cristino, que está no exercício do mandato. O deputado federal licenciado Eduardo Bismarck já anunciou que deixa o PDT nesta janela partidária, mas ainda não informou para onde. O deputado Mauro Filho também deve deixar o partido, mas não anunciou para qual sigla. ➡️ Clique aqui para seguir o canal do g1 Ceará no WhatsApp A movimentação dos deputados acontece em meio à janela partidária, período no qual os parlamentares são liberados para trocar de partido sem correr o risco de perder os mandatos. Até o momento, pelo menos 5 deputados federais do Ceará e 11 deputados estaduais já trocaram de partido, mas o número pode aumentar até o fim da janela partidária, que encerra no dia 3 de abril. Embora os partidos em geral ganhem e perdem membros durante a janela partidária, o PDT Ceará vive uma situação excepcional porque pode ver sua bancada na Câmara dos Deputados ficar reduzida a um deputado e sua bancada na Assembleia Legislativa do Ceará desaparecer. Janela partidária movimenta o cenário político A debandada do PDT começou em 2023, após o rompimento entre os irmãos Ciro Gomes e Cid Gomes nas eleições de 2022. Os dois estavam no PDT há anos e a força do grupo político da família havia feito com que o partido tivesse forte representação no Ceará: em 2022, elegeu 4 deputados federais e 13 estaduais. Quando Cid entrou no PSB em 2024, levou consigo a maior parte dos aliados. O PDT chegou a ter 5 deputados federais pelo Ceará ao longo da legislatura, atualmente, porém, o único deputado que não anunciou a saída da legenda foi André Figueiredo, que atua como presidente estadual do partido. Na Assembleia Legislativa do estado, dos 12 eleitos pelo PDT em 2022, só restaram 4 no partido em 2026, e o quarteto já anunciou que pretende deixar a sigla esse ano. O PSB, por outro lado, que não tinha eleito nenhum deputado estadual em 2022, agora tem a maior bancada da Assembleia. O partido também não tinha nenhum deputado federal pelo Ceará, hoje, porém, já possui 3 e pretende ampliar a bancada nas eleições deste ano. Briga dos irmãos Ferreira Gomes A debandada do PDT no Ceará começou após a briga dos irmãos Ciro e Cid Gomes, nas eleições de 2022, durante o processo de escolha do candidato ao Governo do Ceará, que acabou levando ao rompimento da aliança de 16 anos entre o PT e o PDT no estado. Irmãos Cid e Ciro Gomes estão brigados publicamente desde 2022. Fabiane de Paula/Thiago Gadelha O então governador Camilo Santana, do PT, escolhido em 2014 por Cid Gomes para sucedê-lo na gestão estadual, deixou o cargo em abril para poder concorrer ao Senado. Com a saída de Camilo, sua vice, Izolda Cela (até então no PDT, hoje no PSB), assumiu o governo cearense. À época, Cid (PDT) e Camilo (PT) defenderam que Izolda, primeira mulher à frente do governo no estado, concorresse à reeleição. Já Ciro Gomes defendeu que o PDT escolhesse o ex-prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio. A posição de Ciro acabou prevalecendo no PDT. Com a decisão do PDT, Cid rompeu com o irmão e se afastou da campanha. O PT de Camilo Santana decidiu lançar outro candidato, Elmano de Freitas (PT), que acabou eleito governador contra Roberto Cláudio (PDT) e Capitão Wagner (União). O senador Cid Gomes deixou o PDT e, em 2024, se filiou ao PSB, cujo presidente estadual é Eudoro Santana, pai de Camilo Santana. Na troca, Cid levou consigo a maioria dos seus aliados, alguns dos quais conseguiram, na Justiça, deixar o PDT antes; outros estão aproveitando a janela partidária agora para realizar o movimento. Em 2025, o próprio Ciro Gomes deixou o PDT e se filiou ao PSDB em meio às articulações para uma possível candidatura ao governo estadual - pleito que dificilmente Ciro poderia pôr à frente dentro da sigla trabalhista, uma vez que o PDT retomou a aliança estadual com o PT e já confirmou que deve apoiar a campanha de reeleição de Elmano em 2026. Ascensão do PSB Entre 2022 e 2025, os deputados estaduais aliados de Cid Gomes deixaram o PDT e migraram para o PSB. O Partido Democrático Trabalhista, que tinha a maior bancada da Assembleia Legislativa do Ceará, ficou com apenas 4 deputados, que agora em 2026 também devem deixar o partido. Senador Cid Gomes mobilizou aliados para tornar PSB um dos partidos mais importantes do Ceará. Fabiane de Paula/SVM Já o PSB, que não tinha deputado estadual no Ceará em 2022, conseguiu filiar 12 parlamentares "cidistas", formando a maior bancada da Casa. Entre os filiados estão o presidente da Assembleia, Romeu Aldigueri, que havia sido eleito pelo PDT. Nas eleições de 2024, o PSB de Cid Gomes elegeu 65 prefeitos entre os 184 municípios do Ceará, tornando-se o partido com o maior número de prefeituras no estado – posto esse que até então pertencia ao PDT, que em 2020, capitaneado pelos irmãos Ferreira Gomes, tinha eleito 66 prefeitos. Já no pleito de 2024, o PDT viu sua participação no Ceará ser reduzida a 5 prefeituras. A sigla perdeu inclusive a Prefeitura de Fortaleza, àquela altura a gestão mais relevante que o partido tinha nacionalmente. Ainda em 2024, o PSB de Cid Gomes conseguiu filiar seu primeiro deputado federal, Júnior Mano, que havia sido expulso do PL. Com as filiações de Idilvan Alencar e Robério Monteiro no último fim de semana de março, já são 3 deputados federais no PSB. Cid Gomes anunciou que gostaria de eleger pelo menos 5 federais neste ano. Nestas eleições, os cearenses devem eleger dois senadores, e há meses partidos da base governista do Ceará e da oposição têm discutido os nomes para concorrer aos cargos. Cid tem dito que não pretende concorrer à reeleição e quer lançar Júnior Mano ao Senado. Já Ciro Gomes, ainda rompido publicamente com Cid, é apontado como o candidato ao Governo do Ceará pelo PSDB. A candidatura de Ciro deve reunir apoio de diversas lideranças de oposição, incluindo deputados do PL e do União Brasil. Ciro Gomes se filia ao PSDB ao lado de lideranças da oposição no Ceará. Thiago Gadelha/SVM Assista aos vídeos mais vistos do Ceará