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Desvios no INSS: PF mira deputada e associação do Ceará em nova fase da Operação Sem Desconto

PF mira deputada e associação do Ceará em nova fase da Operação Sem Desconto A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta terça-feira (17), a Operação Indé...

Desvios no INSS: PF mira deputada e associação do Ceará em nova fase da Operação Sem Desconto
Desvios no INSS: PF mira deputada e associação do Ceará em nova fase da Operação Sem Desconto (Foto: Reprodução)

PF mira deputada e associação do Ceará em nova fase da Operação Sem Desconto A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta terça-feira (17), a Operação Indébito — um desdobramento da Operação Sem Desconto, que investiga um esquema nacional de desvios não autorizados em aposentadorias e pensões de beneficiários do INSS. A deputada federal Gorete Pereira (MDB-CE) está entre os alvos da operação. Ela passou a ser monitorada com tornozeleira eletrônica, segundo informações obtidas pela TV Globo. Também durante a operação, a PF prendeu o empresário Natjo de Lima Pinheiro e a advogada e ex-presidente de associações de aposentados e pensionistas no Ceará Cecília Rodrigues Mota, que são investigados por envolvimento no esquema (entenda mais abaixo). Durante a operação, a PF também cumpriu mandados contra Alan Santos, diretor de Relacionamento e Negócios da Dataprev. Ele foi afastado do cargo. Outros três servidores do INSS também foram afastados das funções no órgão, mas não tiveram os nomes divulgados. 🔎As investigações da PF e da Controladoria-Geral da União (CGU) revelaram um esquema criminoso para realizar descontos irregulares de valores recebidos por aposentados e pensionistas do INSS, ocorridos no período de 2019 a 2024. Os desvios, conforme as apurações, podem chegar a R$ 6,3 bilhões. A defesa do empresário Natjo Pinheiro afirma que "considera a prisão preventiva decretada medida desnecessária e desproporcional" (veja a nota na íntegra mais abaixo). Procuradas pela TV Globo, as defesas das demais investigadas não se manifestaram. Leia também: Quem é a deputada federal Gorete Pereira, alvo de operação da PF Deputada Gorete Pereira (MDB-CE) suplente em exercício na Câmara dos Deputados em discurso em 2019 Pablo Valadares/Câmara dos Deputados Policiais federais e auditores da Controladoria-Geral da União (CGU) cumprem 19 mandados de busca e apreensão, dois mandados de prisão e outras medidas cautelares no Ceará e no Distrito Federal. Os mandados judiciais foram expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em procedimentos sob relatoria do ministro André Mendonça. O objetivo, de acordo com a PF, é aprofundar as investigações da Operação Sem Desconto, para esclarecer a prática de diversos crimes de inserção de dados falsos em sistemas oficiais, constituição de organização criminosa, estelionato previdenciário e atos de ocultação e dilapidação patrimonial. Prisões de investigados A PF cumpriu dois mandados de prisão nesta terça-feira (17). Foram presos: Natjo de Lima Pinheiro, empresário; Cecília Rodrigues Mota, advogada e ex-presidente da Associação dos Aposentados e Pensionistas Nacional (Aapen) e da Associação dos Aposentados e Pensionistas do Brasil (AAPB). Segundo relatório da PF divulgado pela Comissão Mista Parlamenta de Inquérito (PCMI) do INSS, "o empresário Natjo de Lima Pinheiro foi beneficiário de aproximadamente R$ 400 mil em múltiplas operações advindas das empresas de Cecilia Rodrigues Mota, uma das operadoras do esquema fraudulento, investigada pela PF". A informação consta no requerimento de depoimento apresentado pela CPMI para convocação do empresário, em agosto do ano passado. A deputada Gorete Pereira teria ligação com o esquema da associação Aapen, presidida por Cecília, para os descontos indevidos nos benefícios de aposentados e pensionistas. Segundo as investigações, a parlamentar teria participado ativamente das fraudes e recebeu amplamente recursos originados nos desvios. Ela também teria aberto empresas em nomes de laranjas para facilitar o esquema. Depoimento à CPMI do INSS Cecília Rodrigues Mota, presidente da Associação dos Aposentados e Pensionistas do Brasil (AAPB), durante depoimento à CPMI do INSS em novembro de 2025. Jefferson Rudy/Agência Senado Cecília Rodrigues Mota prestou depoimento à CPI do INSS em novembro do ano passado. Na oitiva, ela admitiu conhecer parte das pessoas citadas nas investigações da Operação Sem Desconto. Também reconheceu ser proprietária de várias empresas suspeitas de lavagem de dinheiro e confirmou ter movimentado milhões de reais, mas negou que esses recursos tenham origem ilícita. O que dizem as defesas Veja a manifestação das defesas dos investigados: Natjo Pinheiro "O advogado Bruno Queiroz responsável pela defesa de Natjo Pinheiro considera a prisão preventiva decretada medida desnecessária e desproporcional. Desde abril de 2025, o investigado já havia sido alvo de busca e apreensão e bloqueio judicial de bens, medidas que se mostraram plenamente satisfatórias. Os descontos investigados encontram-se paralisados, inexistindo risco de continuidade, e o próprio cumprimento do mandado em sua residência afasta qualquer alegação de risco de fuga. A defesa ingressará com os instrumentos jurídicos cabíveis para revogação da prisão preventiva". A TV Globo procurou a defesa de Maria Gorete Pereira e de Cecília Rodrigues Mota mas não obteve retorno.